Apesar dos esforços da Prefeitura e dos investimentos anunciados, o programa Zera Fila parece funcionar melhor como peça de marketing político do que como solução concreta para os problemas da saúde pública. Os números divulgados impressionam à primeira vista, mas não refletem o cotidiano de milhares de cidadãos que ainda enfrentam longas esperas, falta de especialistas e atendimentos precários.
Segundo os dados oficiais, a nova etapa do programa prevê 6.021 novos atendimentos, com um investimento de R$ 240,1 mil. Desde o lançamento, o município afirma ter aplicado cerca de R$ 7 milhões na redução das filas. Mas o que esses números realmente significam para quem precisa de atendimento urgente?
📊 Discriminação dos atendimentos realizados:
- 5.858 ultrassonografias: número expressivo, mas insuficiente frente à demanda reprimida, especialmente em casos ginecológicos e ortopédicos.
- 20.749 exames de raio-X: exames básicos que, embora necessários, não resolvem casos que exigem diagnóstico mais aprofundado.
- 2.619 atendimentos de oftalmologia: ainda há pacientes aguardando por cirurgias de catarata há mais de um ano.
- 471 cirurgias ortopédicas: número tímido diante da fila de espera por procedimentos como próteses e correções ósseas.
- 650 cirurgias de hérnia e vesícula: não atendem à totalidade dos casos acumulados nos últimos anos.
- 1.039 eletroencefalografias: exames neurológicos que exigem acompanhamento, muitas vezes inexistente.
- 4.173 endoscopias e colonoscopias: importantes para prevenção, mas ainda há pacientes sem acesso ao laudo.
- 1.719 exames de Holter: úteis para diagnóstico cardíaco, mas sem garantia de consulta subsequente.
- 174 próteses auditivas: número irrisório frente à população idosa que depende desse recurso para qualidade de vida.
Ao todo, são 38.184 atendimentos realizados em 2025, mas o que não se diz é quantos ainda aguardam, quantos foram mal atendidos, e quantos sequer conseguiram agendar. A fila pode até ser “zerada” nos relatórios, mas continua viva na rotina de quem depende do SUS.
O programa Zera Fila, embora bem-intencionado, se mostra como uma vitrine política: dados bem apresentados, mas desconectados da realidade


